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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Meu dia na unidade médica.

         

Tereza é uma mulher que conheci em uma unidade de saúde aqui em São Paulo conhecida como AMA. O que vou contar aqui é o que vi e ouvi enquanto eu estava na unidade para passar meu filho no médico. Tereza chegou com quatro crianças pequenas cuja idade era oito anos, cinco anos, três anos e um bebê de nove meses. Todos estavam com gripe. Enquanto Tereza aguardava a chamada de sua senha para abrir sua ficha de atendimento, algumas pessoas que estavam aguardando a chamada começaram a cochichar uma aqui a outra ali, motivo dos cochichos a chegada de Tereza a unidade com quatro crianças pequenas, infelizmente eu estava próxima e ouvi tudo o que ocorria. Irei nomear a conversa entre as pessoas com os nomes fictícios Ana, Bia, Célia e Dora. A conversa prosseguiu-se assim:
—Ana: Como pode uma mulher nos dias de hoje ter tantos filhos?
—Bia: E mesmo com o sistema de controle de natalidade, poderia ter feito uma laqueadura ou tomar remédios.
—Célia acrescenta: Esta tudo ai. Nos dias de hoje é um crime ter tantos filhos, depois fica ai dando trabalho para o governo, correndo atrás de leite de graça é por isso que tenho só um.
—Dora: Pra ajudar quando ficam doentes ficam tudo de uma só vez, ainda bem que o posto dá remédio de graça.
Eu que estava a ouvir tudo decidi levantar e ser solidaria com aquela mulher que necessitava mais de auxilio do que critica. Divido aqui com vocês esse fato, pois fiquei indignada com a conversa, minha família também é numerosa tenho quatro filhos, e sou muito feliz agradeço a Deus por ter colocado eles em minha vida, neste dia apenas o meu filho caçula estava doente, portanto os demais estavam em casa e se estivessem todos, eu seria também o comentário.
Quantos filhos devemos ou não ter é escolha de cada um. Não competi a nós Julgar ou determinar a quantidade de filhos que alguém deve ter. Ao ouvir tal conversa com disse anteriormente fiquei indignada, como as pessoas não conseguem mais ter respeito por seu próximo, porque não apreciar o amor e carinho que aquela mulher dedicava aos seus filhos. Enquanto esperávamos por atendimento, pude conversar um longo tempo com Tereza uma mulher incrível. Ao longo de nossa conversa Tereza sentiu se a vontade para contar-me um pouco de sua vida. Na sua infância Tereza foi criada pela avó que a maltratava muito. Saiu muito cedo de casa para trabalhar por isso não consegui também estudar tinha somente o primário. Trabalha desde os eu 12 anos em casa de família para ajudar na renda de casa, quando era criança conseguia estar mais feliz em seu trabalho do que em sua casa com avó que segundo Tereza só sabia bater nela o tempo todo, mas, contudo isso Tereza me disse:

— Sabe não consigo ter raiva de minha avó. Cuido dela hoje é uma senhora com muitos problemas de saúde. Agradeço muito a ela a mãe que sou hoje, pois meus filhos são a minha vida e a razão para que eu não me sinta cansada nunca para trabalhar e dar a eles o direito de estudar e poder ser alguém na vida. Dois de meus filhos são mais que especiais, eles perderam a mãe muito cedo como eu perdi a minha. Quando ficaram sozinhos porque o pai deles sumiu faz muito tempo deixou a mãe com eles e foi embora, não tive dúvida, falei ao meu marido eles serão agora nossos filhos. Dou a eles o que senti falta na minha infância e não tive.
Então fiz a pergunta o que Tereza?E me respondeu:
—Amor muito amor e sentir que alguém me amava ter uma família.
Nesse momento fiquei paralisada, pensando ”Meu Deus obrigado por colocar em meu caminho pessoas com essa bagagem de vida pra que eu possa dar graças a Deus por não ter vivido nada semelhante e por trazer uma experiência de vida tão intensa e que Ana, Bia, Célia e Dora não faziam a menor idéia do que diziam”
Chamaram o meu filho para o atendimento médico e o tempo que fiquei aguardando, conheci essa pessoa fascinante que é Tereza. O carinho com que ela cuidava das crianças era de encher o coração de alegria de qualquer um. Ana, Bia, Célia e Dora foram infelizes em seus comentários que julgaram sem saber e deixaram de conhecer uma pessoa encantadora e quem sabe até aprender uma pouco com a experiência de vida de Tereza.
Respeito à opinião de cada um, mas me reservo o direito de fazer criticas. Aos comentários de mau gosto, quando uma família constituída ,por uma numero maior que dois filhos ou mais filhos. Logo surgem as piadas, das mais variadas. Será que as pessoas não pensão que pode ser uma escolha?Que é uma família feliz. Porque não podemos respeitar a escolha que cada um?
Importa a quantidade de filhos? Ou a alegria que irão trazer? Acho que as pessoas devem preocupar-se mais com a sua própria vida. Aprender a ter mais respeito por nossos semelhantes, apreciar a beleza que muitas vezes passa por despercebido. Diariamente recebemos notícias de desgraças na internet, radio TV entre outros não importa o meio, famílias sendo destruídas, e quando temos a oportunidade de conhecer uma história diferente de uma família feliz, sim, pois o que Tereza deixou bem claro era que hoje é muito feliz com a família que tem. Creio que devemos sempre acreditar, que a felicidade existe. Ser mais solidário, ter mais respeito por seu semelhante, pensar antes de falar. Será que estou enganada? E vocês o que pensam a respeito.